Este blog é dedicado à minha fonte de inspiração - minha filha, Sarah Emanuelle.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Relato de parto domiciliar planejado


Eu vou nascer. Vou nascer, Vou renascer.

Eu vou nascer.
Vou nascer,
Vou renascer.

Esse é o relato de parto de uma amiga querida, são fotos belíssimas, seu segundo bebe é uma linda menina chamada Corinna,
super mulher dando a luz a outra mulher.
Uma honra fazer um pouquinho parte de sua viagem.
Gratidão Anna Marcia
Antes gostaria de deixar claro que o parto domiciliar deve ser planejado, durante  o pré natal deve estar claro que se trata de uma gestação de baixo risco; o parto de ter uma assistência de profissionais sendo  necessário que seja feito um plano auxiliar, que chamamos de plano B, para o caso de uma transferência ser necessária.
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Corinna está serena nos meus braços e tem me vindo a vontade de escrever sobre o parto.
Mas sabe segredo?
O segredo, quanto mais a gente guarda, mais ele tem força.
Quando a gente conta ele enfraquece, né?
Esse é o grande lance do segredo.
Por isso é tão bom guardar coisas boas em segredo absoluto.
Eu estava com essa sensação a respeito do nascimento da Côri. Queria guardar aqui no peito pra isso crescer, crescer e viver sempre!
No entanto, compartilhar e relatar o parto pode eternizar tambem esse dia, na memória fresquinha.
E pode ainda ajudar outras mulheres na jornada de gestar e parir. E é aí que nosso lado social ativista grita. A Corinna também curte isso de inspirar pessoas. Eu tenho certeza, porque ela me inspira desde que a descobri…
Era novembro de 2012 e estávamos prestes a nos mudar.
A grande mudança da minha vida.

Eu morava na casa dos meus falecidos avós. Lá onde cresceram minha mãe e meus tios, onde eu e meus primos passamos também parte boa da infância. Onde morei sozinha pela primeira vez. Onde fiz república com azamiga. Onde vivi com meu companheiro Rodrigo e, poxa vida, onde pari meu primeiro filho!
É essa casa que estava vendida. Eu não sabia para onde iríamos ainda…
E a Corinna chegou no meu ventre. Corajosa! Inspiradora!De Irlanda à Bahia, pensamos em todos os lugares! No fundo tínhamos um sonho…

Decidimos que seria Ubatuba e nos mudamos em Fevereiro.


Aqui em Ubatuba passei a melhor parte da gestação. A proximidade com o mar e com a floresta só me fez bem. E a todos da família!
A vida mudou muito. Rodrigo assumiu um viveiro de plantas tropicais e decidiu comprar o sítio em sociedade com nossos amigos.
Estive muito mais ativa fisicamente, fora carregar o Mattias de 3 anos vez ou outra, entrei na Yoga e ganhei uma bicicleta.

Trabalhei forte o Coaching para Mulheres, em sessões individuais via skype e em Workshops em Sampa e São José dos Campos.
A gestação cresceu bem, com saúde. Corinna era tambem muito ativa no ventre, seus movimentos vigorosos me traziam força e confiança.
Mattias mostrava uma sensibilidade e uma conexão linda com a irmãzinha. De emocionar.
Eu enfrentei alguns medos e quero relatá-los.
O primeirinho foi pensando como, por Deus, COMO eu poderia amar outra pessoa além do Mattias? Tive certeza que seria impossível e até disse a mim mesma que era certo que os primogênitos são os mais amados. Hahaha!!! E olha que sou a caçula da mamãe.
Depois, temi não dar conta, à medida que a barriga crescia e eu não conseguia mais ter pique pro Matt.
Sábia engenharia do corpo, que abre espaço pro bebê que vem, a despeito do nosso desejo racional. O cara já começa perdendo espaço no colo, porque não cabe mais.
Tive medo de a equipe não chegar a tempo do parto. As enfermeiras obstetras viriam de SJC, 3 horas de trajeto. Chamei uma doula de SJC também. Com quase com 40 semanas chamei uma amiga de Ubatuba pra me doular tambem. Eu não queria era estar sozinha quando a coisa começasse. Havia ainda minha parteira parceira, que atendeu o primeiro parto, avisada que ela também seria chamada, mais pra partejar o coração que o nascimento. Eu sabia das mínimas chances de ela conseguir vir de São Paulo, mas foi importante pra mim ter o canal aberto.
Tive o medo óbvio de precisar abdicar do parto domiciliar por alguma intercorrência. Depois que a gente vive um parto livre a gente não quer outra coisa. Indo a fundo, esse medo era sinônimo do medo de algo que não dá certo. Pra mim ou pra Côri. Então não foi difícil (com o tanto que leio sobre o assunto) desatar esses nó. Ubatuba não tem opções de atendimento humanizado, não temos seguro de saúde, então o plano B para zebras zebrais era ir pra Santa Casa e dar adeus ao tal parto livre, respeito ao neonato, etc. Deusolivre!
Nas minhas meditações na Yoga e nas orações eu fortalecia a visualização de tudo dando certo, da Cori mamando, do parto assistido pelas parteiras, da presença do Ro, da presença da Leti que ia fotografar. Eu tinha receio de não avisar a Leti e sabotar o registro fotográfico, como fiz quando Matt nasceu, quando eu não chamei meu amigo que ia deixar a câmera pra gravar.
Armei a banheira inflável com 39 semanas.
Apesar de o Mattias ter nascido com mais de 42 semanas, eu não queria não ter o recurso da piscininha de parto no dia. Então deixei a bichinha ali, cheia de ar. (Ela esvaziou e eu re-enchi mais umas 4 vezes…)
Comecei tambem a separar as roupinhas que ganhei das minhas amigas. Que delícia!
Foi prestes a completar 40 semanas que eu parei de atender as minhas clientes.
No dia da DPP teve um Arraiá aqui em casa, com as minhas amigas da Roda de Mães de Ubatuba. Parceiras de maternagem, comemos e papeamos num dia delicioso em família. Criançada, pipoca, brincadeiras no quintal. No dia seguinte, praia!!!
Eu entrava no mar e mentalmente me perguntava: será meu último mergulho antes dela chegar? Vou dar mais um!!!
As minhas duas doulas começaram me dar satisfação da vida delas, coitadas. Olha, vou pro Rio de Janeiro, vou pra São Paulo, volto não sei quando…amadas! Vão tranquilas.
Nas consultas com as parteiras, tudo certo comigo e com a Cori. Coraçãozinho e coraçãozão em perfeita saúde :-)
Eu ainda saracuteava de bicicleta por aí nessa fase.
Entrei com tudo na 41a semana. Estava chegando perto!
Foi minha última vez na Yoga. O fato de ouvir toda vez o mesmo refrão me fez querer recolhimento. O povo não se aguenta quando vê um barrigão, quer logo apostar quando nasce, quando vira a lua, quando será? E lá se foram todos os bolões. Ninguém acertaria a data de nascimento da Corinna. Ninguém.
Continuei fazendo algumas posturas de Yoga em casa, na praia, na bola de pilates e no chuveiro.
Com 41+3 recebi uma amiga, que é obstetriz aqui em casa. Fomos à praia, ao sítio, fizemos barriga de gesso. Seria divertido e cheguei fantasiar com um chamado súbito no meio da madrugada pra ela partejar no quarto ao lado.
Mas não rolou, hahaha.
Aqui, o maior parênteses e a maior motivação em escrever esse relato: Bebês Nascem.
Eu já havia internalizado essa máxima, já havia provado dessa confiança. A maioria dos amigos tambem.
“Mas de novo não, né?” alguém me disse, sobre a gestação prolongada.
“Ah, dessa vez você anda de bibicleta, caminha na praia!” o.O
“Olha, dizem que o segundo vem mais rápido.” Será?
“Gente, que nenezinha preguiçosa!” Que coisa mais esquisita de se dizer prum bebê…ouvi diversas vezes essa.
Em tom de consolo, uma amiga disparou: “Se for que nem o meu, a Côri só vai estar uma semana ATRASADA.” Eu mal conseguia argumentar…
O barato é que eu mesma não estava ansiosa ou nervosa. Já sentia que ela ia repetir a história do irmão.
Ahã, senta lá, Anna Márcia.
E chegam as 42 semanas.
As parteiras queriam saber se eu estava bem, se havia erro de cálculo, ou se eu estava, porventura, psicologicamente bloqueando a chegada dela.
Muitas amigas tambem me escreveram sobre isso. Tenho muitas amigas ativistas, doulas e etecéteras. Cada uma tinha algo infalível a me receitar. Eu adoro uma pajelança, então adorei anotar todas as dicas e experimentar outras tantas.
Mas gente, não. Não estou bloqueando a chegada dela. E mesmo que estivesse, até quando isso seria possível?
Existe gestação que dure 1 ano?
To pagando pra ver.
Enquanto estiver tudo bem, quero esperar o processo iniciar espontaneamente.
Por deixar explícito meu caminho no Facebook, comecei a receber muitas mensagens, desde 38 semanas.
“Já tem algum sinal, Anna?”
Com 42 ficou insustentável responder a todos. Eu fiz status de 42 semanas e fui tomar café da manhã. Na volta tinha 20 mensagens inbox, fora centenas de notificações, entre comentários e curtidas, hummm…
Eu resolvi dar LOG OUT.
Desconectei para me conectar.
Poucas pessoas ousaram ligar ou mandar email e mensagem. Só as mais próximas mesmo.


A segunda feira 24/6 era simbolicamente um limite pra mim, pois era o tempo que o Mattias escolheu ficar na barriga tambem. E limites estão aí para serem superados, né mesmo?
Fui então à acupuntura. No mesmo lugar onde eu fazia Yoga. Já visualizou a cara da recepcionista, né? Sim, um pouco mais arregalados os olhos. Isso. Um tanto mais pálida. Isso, assim. Visualizou.
Reequilibrei as energias ali com ajuda das agulhas. Tomei uma homeopatia bacana pra estimular o útero.
Tive então uma série de contrações com ritmo interessante de 10-15 minutos, que eu acompanhava com o aplicativo Labor Mate no IPhone. Foi divertido. Não eram doloridas, mas bem fortes!
Fomos à praia, eu fiquei lendo um livro bárbaro que a Leti me emprestou: Seven Secrets of a Joyful Birth, de Dominique Sakoilsky. Ela é inglesa e cria de Janet Balaskas. Recomendo. O Rô surfou e o Mattias dormiu no carro.
Conversei com a amiga doula de SJC e caminhei na praia. Eu suspeitei que estava entrando em fase latente. Era aguardar pra ver.
Na volta, à noite, tomei banho e não tive mais contrações. Seria possível? Dormi bem e no dia seguinte, no café da manhã, o Ro disse:
“Poxa, na véspera do Mattias você ainda fez aquela poesia linda…fico pensando se falta algo pra você dizer a ela.”
Eu me incomodei com aquilo, porque acabei me sentindo cobrada. E poesia não é coisa a ser cobrada. Apesar de ele não estar cobrando, de fato.
Fui para mais uma sessão de agulhadas. Arregala o olho aí! Não perde a conta: são 42+2.
Isso importa?
No livro da Dominique, que eu lia ali na recepção da clínica, eu estava trabalhando o SIM no meu processo de gestação e parto. A aceitação, a entrega. Ela pergunta no livro:
“Você está preparada para ter o parto real?”
“Você aceita intervenções, desde que necessárias e devidamente discutidas com sua equipe?”
Você aceitaria que seu parto fosse induzido se você passar da data?
Ah, não, mano! Essa mulher tá de brincadeira. Tá perguntando isso pra mim, mesmo?
Lá fui eu pras agulhas e dessa vez eu chorei essa entrega.
Ta bom, ta bom, eu me rendo. Eu senti cada agulhada, por cima de pontos que ainda estavam sensíveis, eu chorei.
Eu mentalizei a força de um nascimento, me entreguei.
Eu desconheço meus limites. E os seus, Cori, quais serão?
Venha forte, venha forte, venha em seu tempo.
A gente tem altos e baixos. Eu às vezes pensava: o que será que ela precisa de mim? Silêncio ou barulho? Quietude ou andanças?
Me ocorreu que minha filha, ali de ponta cabeça poderia sentir o mesmo. “Mas vai dar conta essa mulher, de me receber como eu preciso? Acho que ela precisa de mais um dia, hoje foi assim, assado.” Será que eles também não sentem assim?
Saí de lá para pegar uma homeopatia e então depois do almoço tudo que eu queria era comer bananinha Tachão e dormir , fui caminhar na praia.
E andei, hein? Manja Praia Grande de Ubatuba? Ida e volta, dá o que? Uns 2km.

Mesma história do dia anterior. Ro surfando, eu lendo, depois andando, Mattias dormindo no carro. Contrações com intervalo regular de 10-12 minutos, segundo o Labor Mate. Seria fase latente?
“Ro, tira minha última foto na praia de barrigão?”

Em casa foi banho, lanche e…
Tudo passou novamente.
Acordei meia noite do dia 26/6. Não era possível aquilo. Eu tinha medo da parteira desistir de mim, hahaha, delírio meu. Ela não desistiria. Então mandei mensagem pra parteira parceira de SP dizendo que se eu fosse dispensada eu iria pra casa dela aguardar TP. E ela aceitou, ainda por cima.
<3 Respirei fundo e escrevi pra minha parteira vir de SJC naquele dia, me dar ombro amigo e me descolar membranas. Foi duro dormir. Gostaria de lembrar mais claramente o que eu pensava.Eu pensava no quanto é cruel termos um relógio tic tacando fora do corpo. Pensei no tempo da Lua, no tempo da flor, no parto do Mattias. Minha angústia era querer esperar e não saber se haveria respaldo a minha volta. Eu esperaria mais uma semana se preciso fosse! Se tudo estiver bem, por que intervir? Pensava no quanto me parecia insano o sistema vigente, que já teria extraído minha filha barriga a fora. Seria necessário? Estava tudo bem, não estava? Pedia sinais e serenidade para agir com sabedoria. Foi a ansiedade de não estar em Trabalho de Parto, quando eu achava que deveria trabalhar já. Não dá pra ter certeza que a gente está fazendo certo. Dá apenas pra sentir. De fato, um bom exercício para o ser mãe, de verdade. Chorei de alagar a orelha e enxarcar o travesseiro. Corinna mexia e sacolejava no ventre. Ô meu pai!! Resolvi ler o relato da minha BFF Diana, que teve um VBAC depois de 42 semanas e SEIS dias. Eu não queria estar na pele dela. Paradoxo em espiral: No relato dela eu sou citada amplamente, como fonte de inspiração e confiança. Que eu a ajudei a esperar. E agora quem me ajudava como fonte de inspiração e confiança? Elas. Diana e Teresa, a dupla da espera e entrega que teve o merecido TP espontâneo.
Lágrimas eternas pela minha história com a Diana! <3 Acordei na quarta 26/6 meio de cara inchada, quieta. Saiu um pouquinho de tampão. Ah!! Adoro tampão! Mas a cara era fechada, introspecção, silêncio. Rodrigo me questionou se era “Só” pela espera. Sim. É só por isso. Dezessete dias depois da DPP, meu caro, a gente idealiza estar já com bebê nos braços. Olha que tinha outra coisa…dia 29/6 estava perto demais. É o dia de nascimento da minha mãe. Seria uma imensa honra receber minha filha no dia da minha saudosa mãe. Mas emocionalmente devastador. Deus sabe o que faz. Hoje não quero agulha, não quero caminhar. A parteira vem me ver de tarde. O Rô estava indo pro sítio com o Matt e eu resolvi ir junto. Andei no meio daquelas flores maravilhosas, joguei pedrinha no rio…
Almoçamos e o Ro foi surfar.
A parteira chegou e nós conversamos bastante, foi ótimo.
Ela fez o (primeiro de toda gestação) toque e sentiu o colo bem anterior, querendo abrir. 3/4 cm.
Fez o descolamento da bolsa, não senti dor, não sangrei. A bolsa já estava descolada do colo uterino, mas o procedimento pode estimular contrações e levar ao TP.
Tomamos um lanche com minha amiga e vizinha, que tambem está gestante. Depois chegou tambem a Leti, minha amiga fotógrafa, mãe de 3. Dois dos anjos que a vida colocou em Ubatuba e eu tive o prazer de compartilhar bons momentos até agora.
Todas se despediram. A parteira ia indo embora e eu disse com cara de gatinho do Shrek: “Fica, vá…olha só, estou tendo contração!”
Ela não levou muito a sério: “Vamos andar, então. Se engrenar eu fico.” Que responsa, ufa!
Fomos à padaria e na volta esticamos a caminhada até a praia. Aqui sim a última foto grávida na praia :-)
Tomamos sorvete. Quando chegamos puxei o resumo do Labor Mate: Contrações com intervalo de 4 minutos e 45 segundos e duração de 1 minuto e 11 segundos.
“Qualquer desavisado diria que é TP ativo, né?” eu disse pra parteira. Ainda achava que podia parar.


Ela resolveu ficar e chamou sua parceira pra vir de São José tambem. Mandei mensagem pra doula.
Quase chegando em casa, encontrei na beira do rio, por acaso, a amiga de Ubatuba que iria me doular. Ela estava com o filho de 2 anos no hospital, com a perna quebrada. Ali nos abraçamos. Ela não estaria presente no parto, mas aquele abraço e aquele sorriso marcaram a presença dela.
Tomei banho e quando a parteira saiu do banho eu disse a ela que as coisas pareciam estar indo bem rápido.
Quando Ro e Mattias sairam do banho eu estava andando perdida pela casa, acendendo velas e incensos e com uma saudade repentina dos dois. Abracei e beijei muito os dois. Eles foram ler história e umas 21h eu mandei mensagem pra Leti: “É hoje mesmo! Ponha as crianças dormir e venha com calma.”
O quarto estava pronto.
Velas, incenso, piscininha inflada. Começando encher.
Eu estava pronta.
Barriga, noite, contração. Começando doer.
As ondas já vinham fortes.
Eu fui ao banheiro e esvaziei o intestino.
Esse sinal eu tambem tive quando começou o TP do Matt. Comemorei!!
Sentia a barriga endurecer e uma cólica aguda muito forte no pé da barriga.
Muito forte.
Muito pé.
Muita barriga.
Eu tinha algumas almofadas e edredons em cima do sofazinho. Eu me jogava ali naquele cafofo.
Sentia necessidade de esquentar o tal do pé da barriga.
Daí abraçava as almofadas, meio de joelhos, meio de bruços, meio fora de mim.
Eu estava no útero.
Lembrei de tentar respirar abdominalmente, inclusive na hora da contração.
E consegui!
Fiquei muito orgulhosa desse feito. E realmente consegui passar super bem pelas contrações assim. Eu não alterava a respiração, a onda vinha e eu não evitava, ela ia e eu respirava com a barriga.
O povo enchia a banheira e eu ali,
Num mundo água,
À parte do mundo.
Num mundo à parte,
Eu era parte do mundo!
Inspira. um.
Expira.
Inspira. dois.
Expira.
Inspira. três.
Expira.
E já começava a passar.
Eu era o centro do mundo.
Meu útero contraía e respirava.
Eu respirava e deixava doer.
Comemorei. Isso!
Vai dar certo.
Silêncio, olhos fechados.
Respira.
Lá vem outra…Mas já?
A pedra que a gente joga na lagoa.
Os círculos abrindo.
O meu colo abrindo.
E ao final da contração a Corinna dava cabeçadas lá embaixo.
Conversei com ela.
Nosso diálogo:
-Filha, você sabe o caminho, né?
-Eu confio em você, mãe.
-Já vi que você sabe o que fazer, a mim me cabe permitir.
-Eu sei onde vou. Onde vim.
Eu era eu no útero da minha mãe.
A minha mãe me era.
Corinna era no meu útero.
Eu era a mãe. Eu sou.
Abri os olhos, a parteira com sonar, auscultando.
Tudo ótimo.
Mas dessa vez eu perdi a respiração e AAAAAHHHH!! Assim doi.
Ela fez um toque (o último)
“Quer uma boa notícia?”
Que seja 10cm Sim”
“7 pra 8cm”
22horas.
Ah, caramba. É agora que eu arrego.
Muitos já descreveram a hora da covardia.
Caracteriza-se por…ser covarde. Querer sumir. Desistir. Desmaterializar-se.
Nessa hora eu fui pra banheira. Não toda cheia ainda.
Me perdi.
Onde é que respira mesmo?
Cadê o quentinho?
Cadê minha almofada útero?
Rodriiiiiiigo cadê você?
Me perdi.
Como faz isso? Parir?
Ah, deve ser muito da hora tomar peridural…suspiros.
AAAAAARRRRGGGG
Meu corpo faz força.
Força força
Lá pra baixo.
Força de fazer cocô
É o único jeito.
Mas será o certo?
Pergunto à parteira:
“É certo?”
“Faça o que precisa. Sopre.”
Impossível soprar naquela hora. O Ro tentou me lembrar disso, no meio da contração “Sopra, amor” e eu respondi bem malcriada, entre mordidas e grunhidos.
Eu era força. Eu era a minha dor. Dois pés da barriga.
Ro, eu vou morrer.
Vou morrer, eu vou!
Vou…
Eu vou nascer.
Vou nascer,
Vou renascer.
Sinto de repente tudo se abrir, ossos, músculos.
Avassalador, violento, eu sou um pedaço de carne.
Arregalo os olhos.
Adrenalina. Inconfundível:
Luta, fuga e expulsivo.
Com a mão, sinto um fiapo de sangue sair pela vagina.
É gostoso puxar esses fios de sangue.
Entro mais com a mão e sinto uma bolinha, bexiguinha.
Macia, descendo…a um dedo de distância da saída.
Saída que é entrada.
Finda em mim.
Começa em ti.
“Gente ela está aqui!!!”
Então eu grito: Espera filha, espera um pouco!
Eu respiro, retomo fôlego.
Entro em mim.
Sinto a bolinha descer mais devagar…que menina doce.
E de repente VEM, VEM, VEM até o limite.
Eu sopro.
“Ela está coroando!”
(Rodrigo conta que nessa hora ele se riu e pensou: nossa, ta doidona, tadinha, acabou de entrar aí, rs!)
“Olha, gente, está no períneo!”
Eu narrava e todas apenas olhavam. Ninguem falou nada, ninguém interferiu no nosso momento. Havia no quarto duas enfermeiras obstetras, uma fotógrafa, meu marido e muitos anjos.
Epi-No me deu consciência e coragem de manter a mão no períneo esperando a distenção máxima.
Eu sopro.
Êxtase.
Poxa vida, tá acabando. É isso.
Tá começando!
O círculo de fogo de distenção perineal não causou dor alguma.
Não forço, sopro.
Eu sou toda emoção.
“Sinto as orelhinhas!”
Sinto a bolsa se romper.
“Um braço.”
Eu sorrio e já abraço.
Sou inteira um sorriso.
“Agora ela vem toda, ela vem toda, ela vem toda!”
E ela toda veio.
Pro meu peito.
Pro meu mundo.
22:58 e já não existe vida sem ti.
E de fato como haveria de haver vida sem a Corinna?
Do meu colo não saiu.
Meu coração já dilatou, imenso.
Nasceu bem, que tenha longa vida!
Ah, Corinna…
Você é linda,
Seja bem vinda nossa menina!
Eu agradeço.
Eu agradeço ao RODRIGO, parceiro de uma vida toda e pra muitas vidas ainda. Simplesmente amor. Eu te pertenço.
Ao Mattias, pela paciência e infinita inspiração, desde que decidiu escolher essa mãe aqui. Você me ensina a cada dia.
A todas ativistas e maternas representadas pela figura de A. C., obstetriz e minha eterna parteira parceira.
K. Enfermeira obstetra que acolheu meu parto juntamente com P., parceira Enfermeira Obstetra. Ambas guardadas no meu coração, eternamente. Pelo silêncio, pelo respeito, pela presença. Gratidão.
F. P., doula inspiradora e já amiga, pelo acolhimento, pela sabedoria compartilhada, pelo ativismo. Te adoro!
Vania Cristina e Tami Deshná, vocês são um presente na minha vida! Obrigada e obrigada amigas doulas mães e companheiras de maternagem praiana.
Letícia Valverdes Leti, eu não tenho palavras, darling, porque ainda sou pura emoção ao ver os registros que você fez do parto. Só seu olhar, só sua vivência poderia ter feito isso. Eu te espero no Brasil, pra muitos outros momentos compartilhados.
Diana Faria, minha BFF, por estar na minha vida há 13 anos e significar cada vez mais. Irmandade.
Corinna, minha filha das águas que chegou pra resgatar o belo, o feminino, o equilíbrio e a serenidade na nossa família. Eu sou inteirinha Gratidão.


Traduzido por:

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Uma visão mamífera da chupeta

claudia-bebe-adeus-chupeta-e-paninho
Artigo pesquisado no portal da maternidade ativa: Vila Mamífera

Por: Mamífera Convidada – Fabíola Cassab


“Fá, vamos dar a chupeta, é melhor dar chupeta do que deixá-la chupar o dedo!”

Esta foi à sugestão do meu marido, depois de 3 dias em casa, com uma bebê que não parava de chorar e uma mãe com o bico rachado rezando por um minuto a mais de descanso – eu estava a beira de um ataque.

Não tínhamos comprado nenhuma chupeta para ela porque sempre achei que a chupeta era um “objeto” de total inutilidade. Mas diante de toda esta situação, lá foi meu marido a uma dessas mega lojas de bebê para comprar o utensílio.

Como é muito corriqueiro em bebês novinhos, Paola não aceitou a chupeta em um primeiro momento, mas insistimos com a famosa mão segurando a chupeta, até que finalmente ela atendeu aos meus anseios. E “puft” meu bebê passou a usar chupeta. Afinal, a boca é a porta de entrada de muitos prazeres, do feto ao mais experiente dos seres humanos. Paola aprenderia a sentir prazer com a chupeta e eu, sua mãe, totalmente desesperada, ganharia mais uns minutinhos entre o início e o final das mamadas.

Bem neste período passávamos por enormes problemas de amamentação. Além do peito rachado, Paola não engordava e iniciávamos a via sacra de inúmeros pediatras e complementos da mamada.

Engraçado que, em nenhum momento pensei em tirar a chupeta. Pelo contrário, a chupeta passou a ser usada como minha aliada. Sinto hoje que muitas informações não estavam claramente expostas a mim. Eu jamais deveria ter dado a chupeta para minha filha com os meus peitos rachados. Pois, se os peitos estão machucados, na grande maioria das vezes é por problema de pega.

E como bebês novinhos ainda estão aprendendo a mamar, quando eu incluo o bico artificial da chupeta acabo atrapalhando ainda mais o problema. Desta forma dificultei o aprendizado da minha filha.

Um outro porém era o momento que eu dava esta chupeta. Sempre dava a chupeta no final das mamadas, quando a Paola sugava um pouco e parava e sugava de novo e parava. A minha visão daquele momento era: minha filha estava chupetando. E chupetar em nossa sociedade era um mal costume que precisaria ser tirado. Mas eu estava muito mal informada, esse “chupetar” era a mais valiosa mamada, era a mamada “perfeita”. Era o momento em que a Paola mamaria o leite gordo.

Esse é um dos motivos que fazem os bebês que chupam chupetas mamarem menos: na realidade eles mamam mais o leite magro, que mata a sede e faz crescer, do que o leite gordo que, logicamente é o leite que engorda.

Superamos vários de nossos problemas de amamentação e permanecemos com a chupeta, usada principalmente em dois momentos: para ela largar o peito e dormir e à noite para ela não chorar.

Nenhuma mãe gosta de ver seu filho chorar e, lógico, eu não sou diferente. Engraçado, porque deveríamos ter uma maior tolerância a este choro. Afinal, o choro é uma forma de comunicação. Aliás uma das únicas formas de comunicação de que dispõe uma criança que não fala ainda. E aqui em casa a chupeta era, sim, uma forma de calar violentamente minha filha. Pensei muitas vezes em tirar a chupeta, mas era vencida sempre pelo medo de ficar sem ela.

Meu discurso que no início era radicalmente contra a chupeta foi se abrandando até o momento em que eu procurava argumentos para defender o uso da chupeta e ainda justificar que não faria mal, pois toda mãe sempre deve procurar o que há de melhor para seu filho.

Em maio de 2006, tive a oportunidade de ajudar a fundar a Matrice, um grupo de mães que ajudam outras mães a amamentar. A partir daquele momento virei oficialmente ativista da amamentação. Em agosto de 2007 fui convidada a fazer um curso da IBFAN, para também integrar esta ONG.

Como eu tirei a chupeta? Quando a Ana Julia, uma super pediatra, deu uma introdução de manejo de aleitamento. Foi nesta aula maravilhosa da Ana Ju que me deparei frente a frente com informações que me fizeram tirar a chupeta da Paola.

E, olha, eu já tinha feito outros cursos de amamentação mas nenhum atingiu tanto minha alma como este. A Paola já tinha 2 anos e meio, e troquei a chupeta pela bicicleta.
Sim, eu estava tão certa que tiraria a chupeta que não encontrei grandes resistências da Paola. Pelo contrário, foi mais fácil do que eu imaginara. À noite ela reclamou um pouco e na outra, para então nunca mais. A noite que ela reclamou, fomos lá no quarto dela, demos beijinhos e ela voltou a dormir, sem maiores problemas.

Dias depois de ganhar a bicicleta, a Paola veio me pedir de novo pela chupeta. E, para convencê-la a não a voltar à chupeta, mostrei as fotos (aquelas bem horrorosas) que mostram o mal que a chupeta faz à boca de uma pessoa. Ela desistiu na hora!! Fui forte demais? Talvez… mas foi a minha forma. Foram-se as chupetas!!

Com certeza, quando eu tiver um próximo bebê, eu não usaria a chupeta de novo. Pelo menos eu não concebo esta idéia hoje.
Quanto custou a chupeta em casa?
Pois sim, chupetas dão gastos e, acreditem, existe um buraco negro onde elas se escondem. Uma vez dependente deste utensílio, quando esquecemos, perdemos ou algo assim, compramos outra, afinal é impossível ficar sem elas. Fazendo um cálculo por cima de quanto gastamos em chupetas em casa, fica assim:
Tipo 1 (de 0 a 6 meses) – 12 reais cada uma, devo ter tido umas 15 chupetas (total: R$ 180);
Tipo 2 (de 6 meses a 18 meses) – 12 reais cada uma, chegamos a ter 12 chupetas destas (total: R$0 144);
Tipo 3 (de 18 meses em diante) – 12 reais cada uma, chegamos a ter 4 destas quando Paola largou a chupeta, ela não gostava muito destas (total: R$ 48).
Portanto, calculando por cima, gastamos em chupeta R$ 372,00. E aí, o que você faria com esse dinheiro?
Alguns aspectos técnicos que não estão na bula das chupetas:
bico artificial pode interferir no aprendizado de sucção do bebê;
alguns bebês podem desenvolver uma preferência pelo bico artificial;
bebês que chupam chupeta tendem a ser amamentados menos vezes ao dia;
diminuição na sucção e na retirada do leite materno levam à redução de sua produção;
o bebê deixa de respirar pelo nariz, fazendo assim a respiração oral. Esta respiração faz com que o ar não seja filtrado pelos pelos nasais e o ar entra fr
io (pois uma das funções é aquecer o ar) e também não umidece este ar, causando assim todas as “ites” que existem por aí;
confunde o movimento da mamada;
bicos artificiais alteram os padrões de respiração e sucção do bebê (expiração prolongada, freqüência respiratória e saturação de oxigênio reduzidos);
cáries de alimentação em crianças são mais comuns com o uso de mamadeiras e chupetas;
má oclusão dental é mais comum em crianças alimentadas com mamadeira, sendo maior o efeito com o uso prolongado (risco 1,8 vezes maior);
maior incidência de otite média aguda e recorrente, tanto com o uso de mamadeiras quanto de chupetas;
possível aumento na incidência de candidíase oral e de parasitoses intestinais;
uso de materiais potencialmente carcinogênicos (N-nitrosaminas);
possibilidade de sufocação da criança;
mordidas abertas;
o palato (céu da boca) sobe e diminui a passagem de ar pelo nariz;
pode causar apnéia noturna;

CURIOSIDADE:

Nos EUA as chupetas recebem o nome de “pacifiers”, que significa “pacificadores”, ou “ me deixa em paz”. O lactente, no seu primeiro ano de vida, está na fase oral de seu desenvolvimento psicossexual e a amamentação em livre demanda (sem horários) é capaz de suprir por si só esta necessidade de sugar, a chamada sucção não nutritiva.

Moffat (1963) afirmou que o mais comum de todos os hábitos bucais é o da sucção de polegar. “No período do nascimento até dois anos, a sucção é uma ação normal para a sobrevivência dos bebês, necessitando sugar vigorosamente para retirar o leite do peito da mãe, tendo depois da alimentação, ambos os instintos de fome e sucção satisfeito” (in: ENFOQUE, de Gabriela D. de Carvalho).

Por isso, hoje eu acredito que se a mãe tem a informação completa sobre o produto, ela poderá fazer sua opção informada. Aí sim, sua opção será verdadeira.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Parto de Lotus


No Parto de Lotus, o bebê nasce, a placenta nasce e o cordão não é cortado. A placenta permanece ligada ao bebê através do cordão, até que este se solte sozinho, naturalmente.
O Parto de Lotus é uma prática muito comum em algumas culturas, principalmente indígenas onde o “fazer parte de um todo” é muito significativo, diferente de nossa cultura, onde a individualidade, a privacidade, é um fator marcante. Se pararmos para refletir como a maioria de nós nasceu (sob o efeito de medicamentos, ocitocina sintética, anestesia, isolados de nossas mães e privados da necessidade mamífera básica de acesso ao seio materno e do contato pele-a-pele) talvez seja mais fácil entender as dificuldades que temos em nossas relações interpessoais.
Os benefícios de um Parto de Lotus são melhor abordados em culturas que procuram entender o ser humano como parte de um todo, sob uma visão holística, menos tecnocrática. Países como a India, China e Egito. Conceitos ausentes na ciência biomédica ocidental.
No Parto de Lotus há um entendimento do bebê e placenta como uma única unidade, sendo a placenta um órgão essencial, assim como o coração ou o fígado cujo funcionamento é essencial para a vida. No Parto de Lotus, a relação bebê-placenta é muito forte, tanto que a mãe dá a luz ao bebê e à placenta.
Não há razões médicas sustentáveis ​​para cortar o cordão umbilical separando a unidade biológica que concebeu, cresceu e nasceram juntos. O Parto de Lotus garante que o bebê recebe o quociente completo de oxigênio no sangue altamente nutritivo que está no cordão. A criança obtém 40 a 60 ml de sangue ‘extra’ a partir da placenta se o cordão não estiver vinculado até pulsações cessar. A perda de 30 mL de sangue para o recém-nascido é equivalente à perda de 600 ml para um adulto. A prática comum de corte imediato do cordão antes das pulsações cessarem, possivelmente, priva o recém-nascido de 60 ml de sangue, o equivalente a um 1200ml em um adulto. Esta é uma explicação provável do estranho fenômeno de perda de peso que a maioria dos recém-nascidos parecem suportar. O novo organismo é colocado imediatamente sob estresse para reproduzir o sangue que lhe foi negado.”   Dra. Sarah Bucley (www.sarahjbuckley.com/articles/leaving-well-alone.htm www.cordclamp.com.)
Na Inglaterra muitas instituições de saúde, já estão preparadas para oferecer este atendimento aos casais que assim desejam, e que mesmo aqueles que não desejam o Parto de Lotus, são orientados a deixar o cordão ligado por pelo menos 3 horas após o nascimento. Alguns estudos demonstram os benefícios de manter a placenta ligada ao bebê através do cordão, como:
- transfusão total do sangue que está na placenta para o bebê, diminuindo os  riscos de anemia na primeira infância;
- o bebê recebe toda vitamina K presente na placenta, o que em tese, diminui a necessidade da aplicação da vitamina K no bebê após o nascimento (a vitamina K é  importante para evitar hemorragia no recém-nascido);
- o bebê recebe muito mais células tronco (presentes na placenta e no cordão umbilical);
- o bebê recebe mais células de defesa presente na placenta, aumentando sua imunidade.
- aumenta o sucesso na formação do vínculo entre mãe e bebê.
- encoraja a mãe a ficar mais  quieta e próxima ao bebê durante os primeiros  dias;
- como o cordão não é cortado, não há risco de infecção;

Você deve estar se perguntando: e o cheiro da placenta…? Não apodrece?
Existem técnicas para se “cuidar” da placenta até que ela seque. Em geral, o cordão solta em 3 dias (diferente de quando é cortado). No site LotusBirht.net encontra-se a informação de que quando um cordão é cortado imediatamente após o nascimento, leva em média 9,56 dias para o “coto” secar e cair. Quando é cortado tardiamente (após parar de pulsar), leva em média 7,16 dias para secar e cair. E quando não é cortado, como no Parto de Lotus, leva em média 3,75 dias para secar e soltar.

E o bebê?
Esses bebês que nascem de um Parto de Lotus são diferentes, são mais “inteiros”,  mais parecidos como bebês costumavam ser. Os bebês de hoje são frequentemente muito preocupados, eles mostram sinais de estresse. Isto é preocupante… Que o estresse esteja aumentando, mesmo em bebês. O exemplo mais marcante de bem-estar que já vi em um bebê nascido de um parto de lótus era um bebê cujo pai havia morrido durante a gravidez. Quando isso acontece, pode-se esperar que a criança vai manifestar sintomas de estresse relacionado ao estado emocional das mães. Porém, esta criança nascida de um parto de lotus estava completamente livre do trauma residual que estes casos costumam deixar. Era muito calmo e centrado. Observando os bebês que atendo, o Parto de Lotus é notoriamente mais benéfico.“ Helma Bak, médica nascida na Holanda, que pratica a medicina antroposófica e homeopatia na Austrália.

Claro que isso é só a pontinha do iceberg. Existem muito mais informações sobre os benefícios do Parto de Lotus e sobre os cuidados  com  a placenta. Vale a pena dar uma lida.

Mais informações em:
www.lotusbirht.net

Texto adaptado do site:

Vila Mamífera

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Oficinas com Claudia Rodrigues em Florianópolis/SC


O puerpério - por Laura Gutman

Vamos considerar o puerpério como o período que transita entre o nascimento do bebê e os seus dois primeiros anos de vida, ainda que emocionalmente haja um progresso evidente entre o caos dos primeiros dias –em meio a um pranto desesperado- e a capacidade de sair ao mundo com um bebê nas costas.
Para tentarmos submergir nas difíceis trilhas energéticas, emocionais e psicológicas do puerpério, creio ser necessário reconsiderar a duração real deste período. Refiro-me ao fato de que os famosos 40 dias estipulados – já não sabemos por quem, nem para quem – têm a ver somente com o histórico veto moral para salvar a parturiente da procura sexual do homem. Mas esse tempo cronológico não significa psicologicamente um começo, nem um final de nada.
Minha intenção – pela falta de um pensamento genuíno sobre o “si mesmo feminino” na situação de parto, lactação, criação e maternagem em geral – é desenvolver uma reflexão sobre o puerpério, baseando-nos em situações que às vezes não são nem tanto físicas, nem tão visíveis, nem tão concretas, mas não são menos reais por isso. Vamos falar, em definitivo, do invisível, do submundo feminino, do oculto. Do que está mais além do nosso controle, mais além da razão para a mente lógica. Tentaremos nos aproximar da essência do lugar onde não há fronteiras, de onde começa o terreno do místico, do mistério, da inspiração e da superação do ego. Para falar do puerpério, teremos que inventar palavras, ou outorgá-las um significado transcendental.
Para nós, que já o transitamos faz muito tempo, nos dá preguiça voltar a recordar esse lugar tão desprestigiado, com reminiscências de tristeza, sufoco e desencanto. Recordar o puerpério equivale, frequentemente, a reorganizar as imagens de um período confuso e sofrido, que engloba as fantasias, o parto tal como foi, e não como havia querido que fosse, dores e solidões, angústias e desesperanças, o fim da inocência e o inicio de algo que dói trazer outra vez à nossa consciência.
Para começar a armar o quebra-cabeça do puerpério é indispensável ter em conta que o ponto de partida é o parto, quer dizer, a primeira grande desestruturação emocional. Como descrevi no livro “Maternidade e o Encontro com a própria Sombra: para que se produza o parto, necessitamos que o corpo físico da mãe se abra para deixar passar o corpo do bebê, permitindo uma certa “ruptura”. Essa ruptura corporal também se realiza em um plano mais sutil, que corresponde à nossa estrutura emocional. Há um “algo” que se quebra, que se “desestrutura” para permitir a passagem de “ser um, para ser dois”.
vulcãoÉ uma pena que atravessemos a maioria dos partos com muito pouca consciência a respeito desta “ruptura física e emocional”. Já que o parto é sobretudo um corte, uma quebra, uma brecha, uma abertura forçada, igual à erupção do vulcão (o parto), que geme desde as entranhas e que ao lançar suas partes profundas para fora destrói a aparente solidez, criando uma estrutura renovada.
Depois da “erupção do vulcão”, nós mulheres nos encontramos com o tesouro escondido (um filho nos braços) e, além disso, com insólitas pedras que se desprendem como bolas de fogo (nossos “pedacinhos emocionais”, ou nossas partes mais desconhecidas), rodando em direção ao infinito, ardendo em fogo e temendo destruir o que tocamos. Os “pedacinhos emocionais” vão queimando o que encontram em seu caminho. Olhamos atordoadas, sem poder crer na potência de tudo o que vibra em nosso interior. Incendiando e caindo no precipício, costumam manifestar-se no corpo do bebê (que é como uma planície de pasto úmido, aberta e receptora). São nossas emoções ocultas que desdobram suas asas no corpo do bebê saudável e disponível.
Como um verdadeiro vulcão, nosso fogo roda por todos os vales receptores. É a sombra, expulsa do corpo.
Atravessar um parto é preparar-se para a erupção do vulcão interno, e essa experiência é tão avassaladora que requer muita preparação emocional, apoio, acompanhamento, amor, compreensão e coragem por parte da mulher e que de quem pretende assisti-la.
Todavia, poucas vezes nós mulheres encontramos o acompanhamento necessário para introduzir-nos logo nessa ferida sangrenta, aproveitando esse momento como ponto de partida para conhecer nossa renovada estrutura emocional (em geral, bastante maltratada, por certo) e decidir o que faremos com ela.
O fato é que – com consciência ou sem ela, acordadas ou dormindo, bem acompanhadas ou sós, incineradas ou a salvo – o nascimento se produz.
Lamentavelmente, hoje em dia, consideramos o parto e o pós-parto como uma situação puramente corporal e de domínio médico. Submetemo-nos a uma situação em que, com certa manipulação, anestesia – para que a parturiente não seja um obstáculo, drogas que permitem decidir quando e como programar a operação e uma equipe de profissionais que trabalham coordenados, possam tirar o bebê corporalmente são e felicitar-se pelo triunfo da ciência. Estas modalidades estão tão arraigadas em nossas sociedades que nós mulheres nem sequer nos questionamos se fomos atrizes de nossos partos ou meras espectadoras. Se foi um ato íntimo, vivido desde a mais profunda animalidade, ou se cumprimos com o que se esperava de nós. Se foi possível transpirar ao calor de nossas chamas ou se fomos retiradas da cena pessoal antes do tempo.
Na medida em que atravessarmos situações essenciais de ruptura espiritual sem consciência, anestesiadas, adormecidas, infantilizadas e assustadas…ficaremos sem ferramentas emocionais para rearmar nossos pedacinhos de chamas, permitindo que o parto seja uma verdadeira transição de alma. Frequentemente é assim que iniciamos o puerpério: afastadas de nós mesmas.
Anteriormente descrevíamos a metáfora do vulcão em chamas, abrindo e rachando seu corpo, deixando a descoberto a lava e as pedras. Analogamente, do ventre materno urge o bebê real, e também o interior desconhecido dessa mamãe, que aproveita o rompimento para correr pelas fendas que ficaram abertas. Esses aspectos ocultos encontram uma oportunidade para sair do refúgio. A sombra (quer dizer, qualquer aspecto vital que cada mulher não reconhece como próprio, a causa da dor, o desconhecimento ou o temor) utiliza a ruptura para sair de seu esconderijo e apresentar-se triunfante na superfície.
O problema para a mamãe recente é que se encontra simultaneamente com o bebê real,  que chora, demanda, mama, se queixa e não dorme…e ao mesmo tempo com sua própria sombra (desconhecida por definição) , inabacárvel e indefinível. Porém, concretamente, com que aspectos de sua sombra se encontra? Cada ser humano tem sua personalíssima historia e obstáculos a recorrer, portanto, só um trabalho profundo de introspecção, busca pessoal, encontro com suas dores antigas e coragem poderá guiar-nos até o interior dessa mulher que sofre através da criança que chora.
O puerpério é uma abertura de alma. Um abismo, uma iniciação – se estivermos dispostas a submergir nas águas de nosso eu desconhecido.
Texto original de Laura Gutman: El Puerperio
Tradução livre de Flavia Penido. Revisão por Amano Bela.
*Fonte: Portal Maternidade Consciente

COLÍRIO DE NITRATO DE PRATA NO OLHO DO BEBÊ DOS OUTROS É REFRESCO

Ser mãe hoje em dia não é nada fácil, tudo culpa da internet. Tudo culpa da internet! Culpa da internet? Explico: desde que a informação se tornou acessível a qualquer mortal q esteja conectado a rede; desde que artigos científicos estão ao alcance dos dedos, dos olhos e perto do coração; desde que as mulheres usam aventais com orgulho, salto alto com estilo e o cérebro com muita eficácia diante do PC, q nós arrumamos sarna, muito mais sarna pra se coçar. É isso mesmo, até alguns anos atrás a mãezinha ia lá parir seu filho e o pediatra de plantão dizia: “Fofinha, vamos levar o bb para examiná-lo e daqui a algumas eras a gente te entrega ele limpinho e com cheiro de lavanda Jonhson no quarto, ok?”  Minto, os médicos não costumavam e nem costumam nos dar satisfação. Então a mãezinha acabava de parir, ouvia o choro do bb e “era uma vez um bb…”, pois rapidamente a criança tem q ser aspirada, medida, pesada, lavada, observada e têm que pingar o maldito colírio de nitrato de prata.  Procedimentos urgentes, afinal a criança pode crescer, engordar, sufocar, cheirar mal e ficar cega em questão de minutos, não é mesmo?
Mas hj vamos falar apenas do colírio de nitrato de prata.
O colírio de nitrato de prata é pingado nos olhos dos recém-nascidos na primeira hora de vida para evitar dois tipos graves de conjutivite, a conjutivite causada pela bactéria Neisseria gonorrheae e a conjutivite causada pela bactéria Chlamydia trachomatis. Tais bactérias podem infectar um bebê que tenha nascido de parto normal SE a mãe tiver gonorreia ou clamídia. Se a mãe não for portadora das bactérias mencionadas ou se a criança nascer de cesareana, logicamente não se põe o tal colírio nos olhinhos dos bebês, certo? ERRADO! Por incrível que pareça a administração do nitrato de prata em recém-nascidos faz parte do rol de procedimentos chamados “de rotina” na maioria dos hospitais brasileiros. Ou seja: nasceu-pingou! “Mas eu não tenho gonorreia…” PINGOU. “Mas ele nasceu de cesárea…” PINGOU. “Mas ele nasceu com uma deformidade, não tem os olhinhos…” PINGOU!
Segundo NETTO  e GOEDERT  “a Chlamydia trachomatis tem sido o agente infeccioso mais freqüente do que a Neisseria gonorrhoeae em muitas partes do mundo, o que torna a profilaxia de Credé [pingar o nitrato de prata] uma questão controversa devido à ineficácia do nitrato de prata contra a Chlamydia trachomatis.”. (FONTE: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-72802009000500003&script=sci_arttext) Em suma, há controvérsias a respeito da eficácia do colírio quando a mãe está infectada por clamídia.
Talvez vc esteja se perguntando aí como saber se vc é portadoras dessas bactérias. É muito simples, basta solicitar ao seu GO q lhe faça um exame chamado SWAB. Nesse exame o médico coleta material da vagina e ânus da mulher com um super cotonete e manda para o laboratório. SE der positivo  e SE vc tiver um parto normal, o seu bebê terá que amargar as gotinhas malditas. SE der negativo, vc TEM Q DEFENDER SUA CRIA! SE vc for submetida a uma cesareana, vc TEM QUE DEFENDER SUA CRIA!
Certamente vc está pensando que mal tem num coliriozinho de nada… “Não deve ser grave se afinal é um procedimento de praxe”. Ou então vc é do tipo romântica e pensa “Os médicos estudaram e sabem o que é melhor para os nossos bebês…” É bom saber então que o nitrato de prata pode causar conjutivite química, ou seja, é um colírio para evitar conjuntivite que pode provocar conjuntivite! Além disso, em concentrações maiores, costuma ser usado para queimar verrugas. Vc imagina que delícia q deve ser duas gotinhas inocentes nos olhinhos do seu bb?
Agora que vc já sabe para que serve o colírio de nitrato de prata, peça a seu GO que lhe faça um SWAB e se der negativo procure se informar imediatamente sobre como burlar esse procedimento.  A escolha de um bom pediatra para lhe acompanhar na sala de parto pode resolver a questão muito simplesmente.  Quando o Joãozinho nasceu eu já havia conversado com a pediatra anteriormente e ela me garantiu q não pingariam colírio nele.
Dicas:
- Um acompanhante bem informado é muito útil, recém-parida mulher não está em condições de lutar por seus ideais, principalmente se tiver acabado de sair de uma cesareana.
- Se vc vai parir num hospital público ou se maternidade não permite a escolha de um pediatra para o momento do parto, o pai pode escrever um termo de responsabilidade para que não pinguem o colírio, se for o caso.
- Procure informação, antes do parto, sobre quais os procedimentos “de rotina” o hospital escolhido adota e compare com outros.
De que adianta um quartinho decorado com amor e carinho para um bebê que tem os olhos remelentos que não se podem abrir? O colírio de nitrato de prata deve ser administrado em partos normais se a mãe tiver gonorreia ou clamídia. Faça um exame e faça o melhor para o seu filho!
Em tempo: “ A infecção ocular é usualmente adquirida durante a passagem do feto através do canal de parto, sendo incomum afetar recém-nascidos por via cesariana.5” (Fonte:http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-72802009000500003&script=sci_arttext)
*Fonte: Bem Criar